29 abril 2016

Ribeira Grande


Um pequena viagem levou-nos até à Ribeira Grande.
Depois de conhecer-mos as instalações dos Bombeiros Voluntários da cidade, fomos até à hospedaria provar as primeiras delícias desta graciosa terra dos Açores.
Primeiro provámos as «Especiais» e logo de seguida um jantar oferecido pelo Ribeirinha F. C.. Era um menu grandioso e a comitiva ficou surpreendida com o temanho deste manjar. Para finalizar um delicioso licor de manga. E o Hermano não cabia em si de contente! Porque seria??!!
Lá para o início da noite fomos para a praça central da Ribeira Grande, onde estava a decorrer a festa das flores.
E assim começámos a compreender melhor a beleza desta cidade e das suas gentes.
Mas quem melhor do que o poeta para descrever esta bela cidade?

«A vila da Ribeira Grande, nobre com seus moradores, rica em suas terras, bem assombrada com seus campos e fértil com seus frutos, está situada de aquém e de além de uma grande ribeira, de que ela tomou o nome, quase no meio da ilha, em uma grande baía da banda do norte, ao pé de uma serra muito fresca [que, por estar perto da sua planície, está uma coisa realçando a outra, fazendo-a juntamente mais graciosa que outras muitas vilas]; e a ribeira corta a vila em duas partes, de pouco tempo a esta parte, porque até ao ano de mil e quinhentos e quinze não havia da ponte para a parte do ponente mais de duas casas somente. Mas, veio depois em tanto crescimento, que é agora a maior vila, mais rica e de mais gente que há em todo este Bispado de Angra. Dantes era lugar sufragâneo a Vila Franca do Campo, até que el-Rei Dom Manuel, quatrozeno Rei de Portugal e primeiro deste nome, estando em Abrantes, aos quatro dias do mês de Agosto da era de mil e quinhentos e sete, o fez vila, com uma légua de termo ao redor, contada do Pelourinho dele para todas as partes em redondo.» 
Doutor Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra, Livro IV, VII, 1981.»

E assim fomos conhecendo esta cidade. A pé, para termos a perceção do pormenor. Os arcos, as flores, e a àgua a correr em direção ao mar.
Rua a rua, uma seguir à outra. Um tapete de flores: amarelas, vermelhas, verdes, de todas as cores.
A música estava o ar. As pessoas conversavam de forma amena. As igrejas abertas covidavam à oração. Todo este quadro foi passando diante dos nossos olhos. Mas a parcela maior de todas ia para a ribeira: a ribeira da Ribeira Grande era grande.
O fio de àgua que por lá passava não enganava: aquelas paredes estavam preparadas para grades enchurradas.
Mas o tempo ia passando e amanhã havia um jogo para fazer. Os praticantes começavam a regressar aos seus aposentos. (Pelo que sabemos houve alguns que, devido às especiais, tiveram de ligar o GPS do telemóvel para lá chegar). 
Mas aos poucos lá iam chegando. Chegaram os da uma, depois os das três, e ainda os da cinco. Só depois chegaram os últimos.
E fizeram bem: teríamos outras alturas para conhecer melhor a cidade da Ribeira Grande.

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